Silene Borges/ Araguaina
Entre Tapas, Sorrisos e Fotografia OficialHá algo de tragicômico na política tocantinense. Não pela ausência de inteligência ela existe, e muita, mas pelo excesso de cálculo em ambientes onde todos fingem espontaneidade diante das câmeras.Nos bastidores, porém, o clima é outro.A política local começa a lembrar antigos episódios de The Three Stooges( popularizado “Os três patetas-“ na TV aberta)ninguém quer perder espaço, ninguém aceita ser figurante do outro, e todos disputam o centro da cena enquanto o público tenta entender quem realmente conduz o espetáculo.A senadora Professora Dorinha Seabra sabe que precisa do peso institucional do governador Vanderlei Barbosa. Isso não é mistério, é aritmética política.
No Tocantins, nenhuma composição majoritária se sustenta sem a bênção, a oposição, a neutralidade ou a adesão do Palácio.Mas a equação não é simples.Há ainda um dado que chama atenção no tabuleiro recente: a ausência do governador na maior Marcha de Prefeitos da América Latina, evento que reuniu diversas autoridades e contou com a presença de bancadas inteiras de outros estados na abertura. Em política, presença em grandes agendas institucionais raramente é apenas agenda é sinal.Entre o governador e o senador Eduardo Gomes há uma tensão que atravessa encontros, palanques e, principalmente, imagens. E na política contemporânea, imagem não é detalhe: é discurso condensado.
Nesse mesmo ambiente, circularam registros e repercussões sobre a movimentação do senador em Brasília durante a mesma agenda da Marcha, quando esteve em articulações paralelas e apareceu em registros públicos ao lado do senador Flávio Bolsonaro, em meio à repercussão de declarações e confissões, divulgadas em entrevista do Jornal Nacional envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Em política, o timing também fala.
A consequência é um jogo delicado:quer-se o apoio, mas administra-se a presença;busca-se a força, mas controla-se a fotografia;precisa-se da aliança, mas teme-se o simbolismo de um palco compartilhado.A política, afinal, é também teatro e teatro depende de composição de cena.Quem fica no centro? Quem aparece ao lado? Quem fala primeiro? Quem é cortado da foto?Às vezes, uma ausência diz mais do que um discurso inteiro. E o eleitor observa.Observa os sorrisos calculados. As agendas encaixadas como peças de um tabuleiro invisível. Os convites seletivos. As presenças estratégicas. E, principalmente, as ausências que não são ausência são mensagem. Nesse ambiente, a política deixa de ser apenas disputa de projetos e passa a ser disputa de narrativa.Como nos velhos trios cômicos, há sempre uma luta silenciosa pelo comando da cena.
Um tenta liderar, outro reage, o terceiro calcula o melhor ângulo. E, no fim, todos dependem uns dos outros para que o espetáculo continue.Não faltam alianças. Falta harmonia.E talvez seja isso o mais revelador: quando o ego ocupa o centro do palco, o projeto passa a disputar espaço com a vaidade.Enquanto isso, o público assiste a um enredo conhecido cheio de aproximações, distanciamentos e reconciliações provisórias como quem reconhece uma peça que muda os atores, mas mantém o roteiro.
No Tocantins, a política segue assim: intensa, calculada e profundamente cênica. E o palco, como sempre, nunca está vazio.

















