Milionários na urna: presidenciáveis declaram até R$ 242 milhões; Zema lidera arrecadação de campanha

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Patrimônio dos candidatos à Presidência vai de nenhum bem declarado a mais de R$ 242 milhões; primeiros dados das contas eleitorais também revelam quem já começou a corrida com milhões em caixa

A disputa pela Presidência da República em 2026 reúne candidatos com realidades patrimoniais completamente diferentes. Enquanto alguns declararam à Justiça Eleitoral não possuir bens, outros chegam à corrida pelo Palácio do Planalto com fortunas que ultrapassam a casa dos R$ 100 milhões.

No topo da lista aparece o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que declarou patrimônio de R$ 242,28 milhões. Logo depois vêm Romeu Zema (Novo), com R$ 178,71 milhões, e Pablo Marçal (PRTB), com aproximadamente R$ 149 milhões.

Mas patrimônio pessoal é apenas uma parte da fotografia eleitoral.

Os primeiros registros de receitas das campanhas mostram outro ranking: até o levantamento realizado em 22 de agosto, Zema aparecia com R$ 2,7 milhões em receitas, enquanto Renan Santos (Missão) já contabilizava cerca de R$ 1,22 milhão.

Quem são os mais ricos

Segundo os bens declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral, Augusto Cury lidera com larga vantagem.

Entre seus ativos estão participações empresariais, aplicações e cerca de R$ 121 milhões referentes a crédito/empréstimo relacionado a uma empresa.

Romeu Zema aparece em segundo lugar, com patrimônio declarado de R$ 178,7 milhões. Aproximadamente R$ 94 milhões estão relacionados a uma holding familiar.

Pablo Marçal ocupa a terceira posição, com patrimônio na casa dos R$ 149 milhões.

Marçal chegou a apresentar inicialmente uma declaração bilionária, de aproximadamente R$ 7,4 bilhões, mas o valor foi posteriormente corrigido. O candidato atribuiu a diferença a erro no preenchimento da declaração.

Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 52,56 milhões, dos quais aproximadamente R$ 36,21 milhões estão em imóveis rurais, além de cerca de R$ 10,49 milhões em animais.

Wilson Grassi (Democrata) declarou patrimônio de aproximadamente R$ 50 milhões.

Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, informou possuir R$ 8,19 milhões. Desse total, cerca de R$ 6,2 milhões correspondem a uma casa localizada no Lago Sul, em Brasília.

O presidente Lula (PT) declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4,78 milhões.

Veja o patrimônio declarado

Candidato Partido Patrimônio declarado
Augusto Cury Avante R$ 242,28 milhões
Romeu Zema Novo R$ 178,71 milhões
Pablo Marçal PRTB aprox. R$ 149 milhões
Ronaldo Caiado PSD R$ 52,56 milhões
Wilson Grassi Democrata R$ 50 milhões
Flávio Bolsonaro PL R$ 8,19 milhões
Lula PT R$ 4,78 milhões
Clariana Barão DC R$ 1,82 milhão
Renan Santos Missão R$ 795 mil
Edmilson Costa PCB R$ 454 mil
Samara Martins UP R$ 33 mil
Hertz Dias PSTU Sem bens declarados
Rui Costa Pimenta PCO Sem bens declarados

E quem já recebeu dinheiro para fazer campanha?

Quando a comparação passa do patrimônio pessoal para as receitas eleitorais, o cenário muda.

No levantamento das prestações de contas disponível até 22 de agosto, Romeu Zema aparecia com R$ 2,7 milhões em receitas.

Desse total, aproximadamente R$ 2,5 milhões foram transferidos pela direção nacional do Novo, além de R$ 200 mil provenientes de pessoa física.

Renan Santos já registrava aproximadamente R$ 1,22 milhão, com forte participação de recursos arrecadados por meio de financiamento coletivo.

Wilson Grassi contabilizava cerca de R$ 290 mil, provenientes de recursos próprios.

Lula havia registrado aproximadamente R$ 165,5 mil, incluindo R$ 150 mil provenientes do fundo partidário, além de contribuições de pessoas físicas.

Augusto Cury registrava cerca de R$ 75 mil, provenientes de recursos próprios.

Naquela data de corte, outros candidatos ainda apareciam sem receitas registradas no levantamento consultado.

Patrimônio não é dinheiro de campanha

É importante fazer uma distinção.

Os milhões declarados como patrimônio pertencem ao candidato e representam imóveis, investimentos, empresas, dinheiro, veículos e outros bens informados à Justiça Eleitoral.

Já os recursos de campanha têm outra natureza e podem vir de fontes permitidas pela legislação eleitoral, incluindo transferências partidárias, fundos públicos previstos em lei, doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos do próprio candidato.

Por isso, um candidato pode possuir patrimônio relativamente pequeno e movimentar uma campanha milionária — ou ser multimilionário e utilizar apenas uma pequena parcela de recursos próprios na eleição.

O caso de Renan Santos ilustra bem essa diferença: ele declarou patrimônio pessoal de aproximadamente R$ 795 mil, mas, no levantamento de 22 de agosto, sua campanha já registrava cerca de R$ 1,22 milhão em receitas.

Uma corrida que está apenas começando

Os valores de arrecadação apresentados nesta reportagem são uma fotografia de um momento da campanha.

Diferentemente do patrimônio declarado no registro da candidatura, as receitas e despesas eleitorais são atualizadas ao longo da disputa, à medida que partidos, candidatos e doadores movimentam recursos e as informações chegam à Justiça Eleitoral.

Isso significa que o ranking financeiro da eleição poderá mudar significativamente nas próximas semanas.

E é justamente o acompanhamento dessas movimentações que permitirá ao eleitor saber não apenas quanto cada candidato possui, mas principalmente quem está financiando cada candidatura e quanto dinheiro será necessário para chegar ao Palácio do Planalto.

Silene Borges
Jornalista /Tocantins

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE/DivulgaCandContas) e levantamentos publicados pelo UOL com base nos registros da Justiça Eleitoral. Dados de receitas de campanha com corte em 22 de agosto de 2026.

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