Obesidade e diabetes entram na pauta da saúde pública: audiência propõe novas políticas de prevenção, tratamento e acesso à tecnologia

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A Câmara Municipal de Araguaína realizou nessa terça-feira (09/06/26), pela manhã, uma audiência pública para discutir estratégias de enfrentamento da obesidade e do diabetes, reunindo representantes de sociedades médicas, profissionais de saúde, gestores e membros da comunidade. A sessão foi presidida pelo vereador Wilson Carvalho.

Participaram do debate a médica Marcela Pitaluga, delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO-TO); a médica Stephanie Serbu, diretora da Sociedade Brasileira de Diabetes no Tocantins (SBD-TO); a médica Aline Macambira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Tocantins (SBC-TO); e o médico Adalgele Blois, vice-presidente do Sindicato Médico do Tocantins (SIMED-TO) e Kelbia Oliveira, conselheira seccional da OAB – TO.

Durante a audiência, os especialistas reforçaram que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial, recidivante e sem cura, que exige acompanhamento contínuo e tratamento baseado em evidências científicas. Foi destacado que a condição não pode ser atribuída exclusivamente a escolhas individuais ou falta de força de vontade, sendo necessário combater o estigma e promover respeito, dignidade e acessibilidade às pessoas que vivem com obesidade.

Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de ampliar a assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora a obesidade seja reconhecida como doença, ainda não há disponibilidade regular de medicamentos específicos para seu tratamento na rede pública. Os participantes defenderam que o cuidado deve ser integral, envolvendo acompanhamento multiprofissional, orientação nutricional, incentivo à atividade física, suporte psicológico e acesso às terapias medicamentosas quando indicadas.

Também foi debatida a criação de um Centro de Referência para Tratamento da Obesidade em Araguaína, com o objetivo de oferecer atendimento especializado à população e fortalecer a linha de cuidado para pacientes com obesidade e suas complicações.

No campo da prevenção, foram apresentadas propostas voltadas à promoção de hábitos saudáveis e à redução dos fatores de risco para doenças crônicas. Entre elas, a taxação de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, bolachas recheadas, salsichas e produtos similares; a redução da carga tributária sobre alimentos saudáveis; o fortalecimento da agricultura familiar; a fiscalização da qualidade da merenda escolar; e a ampliação do acesso à prática esportiva para crianças, adolescentes e adultos.

Outro tema de destaque foi o diabetes tipo 1 na infância e adolescência. A diretora da Sociedade Brasileira de Diabetes no Tocantins, Stephanie Serbu, defendeu a disponibilização de sistemas de monitorização contínua da glicose para crianças e adolescentes pelo SUS. Segundo ela, a tecnologia permite aumentar o tempo em que a glicemia permanece dentro da faixa recomendada, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares, retinopatia diabética e lesão renal.

Além dos benefícios de longo prazo, a monitorização contínua contribui para a prevenção de episódios de hipoglicemia e hiperglicemia, especialmente durante o sono, quando podem passar despercebidos e representar risco à vida. A tecnologia também proporciona melhor qualidade de vida para pacientes e familiares, reduzindo a necessidade de múltiplas aferições por ponta de dedo ao longo do dia.

Os participantes ressaltaram que o enfrentamento da obesidade e do diabetes exige políticas públicas permanentes, acesso ao tratamento adequado, investimento em prevenção e incorporação de tecnologias que promovam melhores resultados clínicos e qualidade de vida para a população.

A audiência encerrou-se com o compromisso de fortalecer o diálogo entre o poder público, as entidades médicas e a sociedade civil para construção de ações concretas voltadas à prevenção e ao tratamento dessas doenças, reconhecidas hoje como alguns dos maiores desafios de saúde pública do país.

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