Lago Center entra em nova fase e muda o eixo de Araguaína: shopping aposta em arena, grandes marcas e economia da experiência

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Lago Center entra em nova fase e muda o eixo de Araguaína: shopping aposta em arena, grandes marcas e economia da experiência

Às vésperas de completar dois anos, primeiro shopping de Araguaína se aproxima da ocupação plena, amplia o calendário de eventos e prepara novos negócios; trajetória ajuda a explicar uma mudança maior no consumo, no entretenimento e na atração de investimentos para a cidade

Por Líder Tocantins

Quando o Lago Center Shopping abriu as portas, em 8 de outubro de 2024, Araguaína finalmente encerrava uma espera que atravessou anos de projetos, expectativas, mudanças de cronograma e até desconfiança. Menos de dois anos depois, a pergunta já é outra. Não se trata mais de saber se o shopping “pegou”, mas de entender até onde a estrutura criada ao redor dele pode alterar a dinâmica econômica e social da cidade.

Foi esse o pano de fundo de um encontro promovido pelo empreendimento com profissionais da imprensa nesta semana. Embora a reunião tenha apresentado novidades previstas para os próximos meses, o ponto mais relevante esteve além da agenda de lançamentos: a administração deixou claro que trabalha para transformar o Lago Center de centro de compras em uma plataforma permanente de consumo, lazer, serviços, educação, cultura e grandes eventos.

Essa estratégia encontra terreno fértil em uma Araguaína que também mudou de tamanho econômico.

Segundo o IBGE, o município tinha população estimada em 183.024 habitantes em 2025 e PIB per capita de R$ 42.951,52 em 2023. O PIB municipal chegou a aproximadamente R$ 7,4 bilhões naquele ano, segundo dados consolidados do instituto. Entre 2021 e 2023, o PIB nominal de Araguaína cresceu 40,4%, passando de aproximadamente R$ 5,3 bilhões para R$ 7,4 bilhões. O resultado superou, no período, o crescimento registrado por polos como Palmas, Gurupi, Imperatriz, Balsas e Marabá.

É dentro dessa cidade — mais populosa, mais conectada regionalmente e com comércio e serviços em expansão — que o Lago Center começa a revelar seu verdadeiro peso.

De uma promessa antiga a R$ 180 milhões investidos

A história pública do empreendimento começou a ganhar forma em 2021, quando o projeto foi apresentado a empresários e autoridades. Em 2022, ainda antes do início da operação, o Lago Center chegou a ser finalista do Prêmio Abrasce na categoria Tecnologia e Inovação pelo uso da plataforma BIM na modelagem da construção. A proposta também previa soluções como painéis termoacústicos, reaproveitamento de águas pluviais, corredores amplos e integração paisagística com o Lago Azul.

O caminho até a inauguração foi mais longo que o inicialmente previsto. O histórico de anúncios mostra expectativas de abertura em 2023 e depois em 2024. A inauguração definitiva veio em outubro de 2024.

O resultado foi uma estrutura instalada em terreno de 100 mil metros quadrados, às margens do Lago Azul. Dados divulgados na abertura apontavam cerca de 27 mil metros quadrados de área construída e investimento direto de R$ 180 milhões pelo grupo empreendedor, além de uma expectativa, à época, de outros R$ 180 milhões em aportes realizados pelos lojistas.

O grupo investidor reúne empresas de Goiânia e empresários de Araguaína. Na inauguração, a Prefeitura informou estrutura projetada para mais de 140 operações, seis âncoras, cinema, alimentação, lazer e estacionamento para mais de 800 veículos.

Mas havia uma diferença importante entre o projeto no papel e o shopping real: no primeiro dia, pouco mais de 60 lojas estavam efetivamente abertas.

É justamente o que aconteceu depois que ajuda a dimensionar a trajetória do empreendimento.

De 60 lojas a um shopping praticamente ocupado

Em abril de 2025, seis meses após a inauguração, o Lago Center anunciou ter ultrapassado 1 milhão de visitantes. Isso representa uma média aproximada de 166 mil acessos mensais naquele primeiro semestre de funcionamento — volume próximo à população inteira de Araguaína, ainda que, naturalmente, o indicador contabilize visitas e não pessoas únicas.

Três meses depois, em julho de 2025, o empreendimento já informava 100 lojas abertas, mais de R$ 70 milhões em vendas acumuladas, quase 90% da área bruta locável em funcionamento e mais de 92% dos espaços comercializados.

O site oficial hoje apresenta o Lago Center como um complexo com mais de 100 lojas, seis âncoras, praça de alimentação, estacionamento, carregadores para veículos elétricos e o Bosque do Lago integrado ao empreendimento.

No encontro com a imprensa, a administração atualizou esse cenário: informou que a ocupação está em torno de 94%, com parte dos espaços ainda fechados ao público porque novas lojas estão em obras.

Para um shopping que ainda não completou dois anos de funcionamento, o dado é significativo. Mais importante do que a porcentagem isolada, porém, é observar a velocidade com que o empreendimento saiu de uma abertura com aproximadamente 60 operações ativas para um mix acima de 100 lojas.

É a diferença entre inaugurar um prédio e consolidar um mercado.

O faturamento começa a contar outra história

O avanço aparece também nas vendas.

No primeiro semestre de 2026, o Lago Center registrou, segundo dados divulgados pelo empreendimento, crescimento de 35,3% no faturamento geral em relação ao mesmo período de 2025.

Na campanha de Dia das Mães deste ano, a movimentação financeira cresceu 35,43% sobre 2025. O ticket médio das notas fiscais cadastradas chegou a R$ 437,33 e o gasto médio por participante da campanha alcançou R$ 856,36.

Os percentuais precisam ser lidos com uma ressalva importante: trata-se de um empreendimento jovem, portanto a comparação ocorre contra uma base de 2025 em que o shopping ainda incorporava lojas e amadurecia sua operação. Crescer 35% nessa fase não significa necessariamente que esse ritmo será permanente.

Mas há um sinal difícil de ignorar: lojas, fluxo e faturamento estão crescendo simultaneamente.

Para empresários, essa combinação é mais relevante que qualquer anúncio isolado de uma nova marca. Ela indica que o shopping está avançando na construção de densidade comercial — mais motivos para ir ao local, mais frequência de visitas, maior tempo de permanência e mais possibilidades de consumo dentro de um mesmo ecossistema.

Um impacto que vai além do caixa das lojas

Outro dado apresentado ao mercado ajuda a ampliar a análise.

Levantamento da Abrasce sobre o impacto do Lago Center, considerando a construção e o primeiro ano de funcionamento, estimou 2.644 postos de trabalho, R$ 46,89 milhões em tributos e R$ 144,40 milhões de PIB gerado diretamente. Quando incorporados os efeitos das cadeias produtivas ligadas ao empreendimento, o impacto econômico calculado chegou a R$ 250,89 milhões.

Esses valores não devem ser confundidos com faturamento do shopping. Trata-se de uma metodologia de impacto econômico que procura medir efeitos diretos e desdobramentos sobre fornecedores, renda, empregos e demais atividades relacionadas.

O contexto nacional ajuda a entender essa lógica. A Abrasce contabiliza atualmente 658 shopping centers no Brasil, 124.791 lojas, 471 milhões de visitas por mês e faturamento de R$ 200,9 bilhões em 2025. O setor gera mais de 1 milhão de empregos diretos.

Ou seja: o shopping center brasileiro já deixou há muito tempo de ser apenas um corredor de lojas.

E é justamente nessa transformação que o Lago Center parece apostar.

O desafio agora é virar hábito

Durante o encontro com a imprensa, uma expressão apareceu repetidamente: “aculturamento”.

A administração reconhece que construir o primeiro shopping de uma cidade envolve mais do que oferecer marcas. É necessário criar hábito.

Ir ao shopping para almoçar. Encontrar amigos. Levar as crianças. Resolver uma compra no domingo. Assistir a um filme. Passar algumas horas no ar-condicionado. Participar de um evento. Procurar um presente depois do horário tradicional do comércio.

Esse talvez seja o movimento mais interessante em curso.

Araguaína sempre teve um comércio de rua forte, espalhado principalmente por corredores consolidados. O shopping não elimina essa característica — e tampouco precisa fazê-lo para ser bem-sucedido. Ele cria outro tipo de consumo, baseado na concentração de serviços e na previsibilidade da experiência.

O ganho econômico está justamente na complementaridade.

Quando uma família sai de casa inicialmente para assistir a um filme e, no mesmo deslocamento, janta, compra uma roupa e passa em uma loja de cosméticos, diferentes operações dividem o mesmo fluxo. Quando uma exposição infantil leva pais e crianças ao empreendimento, o evento gratuito passa a funcionar também como gerador de circulação comercial.

É a lógica da chamada economia da experiência aplicada ao varejo.

Dinossauros são atração; o fluxo é a estratégia

Um exemplo chega já na próxima semana.

A partir de 3 de setembro, o Lago Center recebe a exposição Dinos do Brasil, pela primeira vez no Tocantins. Serão 16 réplicas em tamanho real de animais pré-históricos encontrados em território brasileiro, algumas mecatrônicas, com movimentos e sons. O maior exemplar terá cerca de 14 metros de comprimento e seis de altura. A visitação será gratuita e escolas poderão agendar passeios.

Para as crianças, são dinossauros.

Para quem olha pelo ângulo empresarial, é geração de fluxo.

A mesma lógica já apareceu anteriormente com exposição marinha na inauguração, pista de patinação no gelo, festival gastronômico, eventos juninos, atividades esportivas, ações para pets e transmissões de jogos.

O objetivo deixa de ser simplesmente convencer alguém a “ir fazer compras”. O shopping cria uma razão independente para a visita e permite que o consumo aconteça como consequência.

Moda, Natal e um calendário próprio de Araguaína

A administração também confirmou a segunda edição do Lago Fashion Day, prevista para 24 de outubro.

A primeira edição, realizada em março de 2025, reuniu mais de 30 marcas para apresentação de coleções e tendências. Agora, o empreendimento busca transformar o evento em uma programação recorrente da cidade, aproximando moda, marcas, lojistas, público e produção de conteúdo.

Para o Natal, a temática anunciada é “Contos de Natal”, com decoração temática, chegada e permanência do Papai Noel e ações promocionais durante o período mais importante do varejo.

São iniciativas distintas, mas todas apontam para o mesmo modelo: construir calendário próprio.

Um equipamento comercial que possui calendário deixa de depender exclusivamente das datas tradicionais do comércio. Ele passa a criar seus próprios picos de demanda.

A Arena do Lago pode levar essa estratégia a outra escala

A maior aposta, entretanto, está do lado de fora do mall.

A administração apresentou à imprensa a Arena do Lago, estrutura de eventos em fase final de implantação ao lado do shopping. Segundo o projeto apresentado pela gestão, o espaço foi pensado para receber desde eventos menores até grandes públicos, com capacidade máxima projetada entre 40 mil e 45 mil pessoas.

A capacidade é informada pelo empreendimento. Independentemente do número máximo, o ponto comercialmente mais importante é outro: a arena começa a colocar o shopping dentro do mercado de shows, festivais, feiras e grandes encontros regionais.

A estrutura já tem eventos confirmados. O Festival Levanta-te, com Frei Gilson entre as principais atrações, será realizado nos dias 16 e 17 de outubro na Arena do Lago. A mudança para o novo espaço foi anunciada pela Diocese de Araguaína e o endereço já consta na plataforma oficial de ingressos.

O efeito potencial ultrapassa a bilheteria.

Um evento regional movimenta hospedagem, alimentação, transporte por aplicativo, combustível, estacionamento, montagem de estruturas, segurança, limpeza, comércio ambulante, publicidade e serviços técnicos. Quando o público chega de outras cidades, parte desse dinheiro é novo para a economia local.

E quando a arena está anexada a um shopping, o empreendimento ganha uma vantagem incomum: milhares de pessoas podem chegar à região horas antes de um evento e encontrar alimentação, banheiros, lojas, cinema, estacionamento e climatização no mesmo complexo.

Essa conexão é provavelmente uma das peças mais importantes da próxima fase do Lago Center.

Novas marcas indicam que Araguaína entrou em outros radares

O movimento também aparece no mix.

Lupo e Democrata abriram operações em 2026. A Reserva está entre as marcas aguardadas para este segundo semestre, enquanto a World Tennis confirmou uma unidade que será a primeira da rede no Tocantins.

Na praça de alimentação, que já opera próxima do limite, o shopping está abrindo espaço para três novas operações. Durante o encontro, a administração confirmou o Subway e informou que outros dois negócios estão em negociação.

O cinema também passa por uma mudança de operador. A CineLaser já aparece oficialmente com unidade no Lago Center e programação em Araguaína; a administração informou que estão previstas intervenções na estrutura, incluindo melhorias de salas e uma proposta de experiência VIP.

Há ainda um movimento particularmente interessante: a entrada da educação no mix.

Segundo a apresentação feita à imprensa, uma rede de ensino prepara uma unidade de quatro pavimentos integrada ao complexo, com capacidade projetada para aproximadamente 300 alunos e início das atividades previsto para 2027.

É uma mudança conceitual importante. Uma escola produz fluxo todos os dias, em horários previsíveis, independentemente de promoção comercial. Pais, alunos, professores e funcionários passam a integrar a circulação cotidiana do complexo.

Shopping, nesse modelo, deixa de ser um destino eventual para se aproximar de um bairro multifuncional.

E Araguaína oferece mercado para isso?

Os dados sugerem que existe espaço.

Araguaína encerrou 2025 com saldo positivo de 1.827 empregos formais, o melhor resultado entre os municípios tocantinenses naquele ano. Comércio criou 906 novas vagas e serviços, 993.

A cidade também exerce influência econômica muito além dos seus limites municipais. Localizada no corredor da BR-153, atende consumidores e empresas do Norte do Tocantins e mantém relação intensa com regiões do Pará e Maranhão.

Isso ajuda a entender por que uma marca pode analisar Araguaína de maneira diferente do que indicaria apenas a população residente.

Uma operação instalada aqui não disputa somente 183 mil consumidores. Dependendo do segmento, disputa também uma população regional que viaja à cidade para saúde, educação, comércio, serviços, agronegócio e entretenimento.

É essa condição de polo que torna projetos como shopping, arena e grandes franquias economicamente mais interessantes.

O que o empresário deve observar daqui para frente

O momento é promissor, mas investimento não deve ser guiado apenas pelo entusiasmo.

Quem avalia abrir uma loja, franquia, restaurante ou serviço no entorno desse novo eixo precisa acompanhar indicadores mais específicos: fluxo real de consumidores, conversão em vendas, ticket médio, custo de ocupação, vendas por metro quadrado, sazonalidade, origem geográfica do público e impacto dos grandes eventos sobre o consumo.

A taxa de ocupação próxima do limite é positiva para o shopping, mas também significa maior competição por pontos e menor espaço para decisões improvisadas.

Da mesma forma, crescimento acelerado de faturamento é atraente, mas tende a desacelerar conforme a base de comparação amadurece.

O sinal mais forte talvez seja outro: o Lago Center conseguiu construir em menos de dois anos diferentes motores de circulação.

Compras. Alimentação. Academia. Cinema. Lazer infantil. Eventos. Moda. Exposições. Serviços. E, na próxima fase, educação e uma arena capaz de atrair públicos de outras cidades.

Quanto mais independentes entre si forem esses motores, menor é a dependência de uma única categoria de varejo.

De “será que sai?” para “o que vem depois?”

Há uma ironia interessante na trajetória do Lago Center.

Durante as obras, parte da conversa em Araguaína era marcada pela dúvida sobre quando — e até se — o shopping seria concluído. A própria equipe do empreendimento recordou essa desconfiança durante o encontro com a imprensa.

Hoje, a discussão mudou.

Em outubro, o Lago Center completará dois anos com mais de 100 operações, ocupação próxima da capacidade, crescimento de faturamento, novas marcas no pipeline e uma expansão do negócio para áreas que pouco lembram o conceito tradicional de um centro de compras.

A pergunta agora é até onde esse movimento pode chegar.

Se a Arena do Lago conseguir colocar Araguaína novamente na rota consistente de grandes eventos, se o mix continuar incorporando serviços de uso cotidiano e se o empreendimento mantiver capacidade de atrair consumidores de fora da cidade, o efeito mais relevante do shopping poderá não estar apenas dentro de suas lojas.

Poderá estar na formação de um novo eixo econômico de Araguaína.

Um eixo em que varejo, entretenimento, educação, gastronomia, turismo de eventos, imóveis e serviços passam a compartilhar o mesmo fluxo.

Para o consumidor, isso significa mais opções.

Para a cidade, significa uma mudança de escala.

E, para quem empreende, significa algo ainda mais valioso: um mercado que continua criando novos motivos para as pessoas circularem, permanecerem e consumirem em Araguaína.


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