Editorial:
Silene Borges/Araguaina To
O silêncio do Congresso Nacional sobre a figura dos suplentes de senador já ultrapassou o limite da omissão. Hoje, ele beira a conivência.
O caso recente no Tocantins escancara uma distorção inaceitável: a possibilidade de um empresário de fora, sem qualquer vínculo histórico, social ou afetivo com o estado, ser alçado à condição de suplente no gabinete do senador Eduardo Gomes.
O nome já circula em sites e bastidores políticos locais. E o que se viu até agora não inspira respeito pelo contrário. A imagem de alguém visivelmente deslocado, desconfortável, estranho à realidade do Bico do Papagaio, não é apenas uma impressão superficial. É um retrato simbólico de algo muito mais grave: a total ausência de pertencimento.
E isso importa. Muito.
Porque não estamos falando de um cargo técnico. Estamos falando de uma cadeira no Senado Federal um espaço de poder onde se decide o destino de milhões de brasileiros. No caso, o destino do povo tocantinense.
É preciso dizer com todas as letras:
não é aceitável que o Tocantins vire moeda de troca política.
Não é aceitável que acordos de bastidores permitam que alguém, que nunca viveu a realidade do estado, que não conhece suas dores, suas desigualdades e sua cultura, possa da noite para o dia assumir a vaga de senador.
Se o titular se afasta, quem entra não é figurante.
É senador. Com voto, com poder, com influência direta.
E aí vem a pergunta que o povo precisa fazer e cobrar resposta:
quem autorizou isso?
Porque o eleitor não autorizou.
O povo não votou nisso.
O Tocantins não pode ser representado por quem não tem raízes aqui.
Raiz não é detalhe.
Raiz é compromisso.
Raiz é responsabilidade com a terra, com a gente, com a história.
O que está em jogo não é apenas uma escolha política.
É respeito.
Respeito com o povo simples, trabalhador, que construiu esse estado com esforço e dignidade. Respeito com quem vive o calor, a distância, as dificuldades e também o orgulho de ser tocantinense.
O Congresso Nacional precisa, com urgência, regulamentar essa distorção. É inadmissível que, em pleno século XXI, suplentes não precisem sequer comprovar vínculo real com o estado que poderão representar.
Chega de improviso institucional.
Chega de acordos que ignoram a população.
Chega de tratar mandato como herança política.
O Tocantins merece mais do que isso.
E o seu povo exige e merece respeito.

















