Nesta quinta-feira (12), a Polícia Civil do Tocantins deu início à Operação 2º Tempo, que apura um possível esquema de desvio de verbas públicas na cidade de Tocantinópolis, envolvendo recursos que seriam repassados a uma agremiação esportiva local. Durante a ação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências, repartições públicas e na sede do clube investigado.
A operação foi conduzida pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, contando com o suporte de outras unidades especializadas, como a Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), a 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), a 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi (DHPP-Gurupi) e a Divisão de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT).
A investigação
As investigações da Operação 2º Tempo apuram indícios dos crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O ponto de partida foram relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectaram movimentações atípicas envolvendo repasses públicos a um clube de futebol de Tocantinópolis.
De acordo com os apurados, o esquema funcionava em três frentes. Na primeira, gestores municipais autorizavam repasses irregulares à agremiação esportiva, ignorando sucessivas decisões do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) que consideravam tais transferências ilegais.
Na segunda, o clube atuava como uma espécie de “fachada”, com adulteração de documentos — como atas e recibos — para dar aparência de legalidade a repasses que não possuíam vínculo comprovado com atividades esportivas ou interesse coletivo.
Na terceira, os valores desviados eram dissimulados: após ingressarem nas contas do clube, eram fracionados e enviados para contas pessoais de dirigentes e pessoas próximas, além de serem sacados em espécie — método comum para dificultar o rastreamento do dinheiro.O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 5,1 milhões.
As apurações indicam que os repasses suspeitos tiveram início em 2009 e se estenderam de forma ininterrupta até 2024. A ilegalidade das transferências já havia sido alertada pelo TCE/TO em 2009, por meio do Acórdão nº 638/2009, que julgou irregular a prestação de contas de 2007 do município, justamente pela ausência de respaldo legal para os repasses ao clube.
Mobilização policial cumpre buscas em investigação contra desvio de verbas
Trinta e quatro policiais civis, sendo 32 investigadores e dois peritos, foram mobilizados para a execução das diligências da Operação 2º Tempo. O trabalho de campo incluiu a apreensão de documentos administrativos, equipamentos eletrônicos e materiais contábeis que deverão embasar a continuidade das investigações.
As buscas atingiram oito alvos, entre eles residências dos suspeitos, a sede do clube investigado e setores da Prefeitura de Tocantinópolis. A participação de um policial militar da ativa entre os investigados motivou o acionamento da Polícia Militar do Tocantins para dar suporte durante os cumprimentos dos mandados.
Significado por trás do nome da operação
A escolha do nome Operação 2º Tempo carrega uma simbologia ligada ao universo do futebol, remetendo à ideia de continuidade de uma partida. No contexto da investigação, a expressão representa a sequência do enfrentamento a esquemas criminosos que, conforme apurado, teriam se aproveitado do esporte, uma das maiores paixões do país, como fachada para a prática de ilegalidades.
Atuação contra desvios de recursos públicos
A Polícia Civil do Tocantins reforça que o enfrentamento a crimes que atingem a administração pública representa uma prioridade institucional, essencial para garantir a transparência na gestão dos recursos e assegurar o interesse da sociedade.
A corporação reafirma o compromisso de conduzir as apurações com rigor técnico e imparcialidade, buscando a responsabilização dos envolvidos e a defesa do patrimônio público.

















