Por : Silene Borges
Araguaína (TO) – As fortes chuvas que atingiram Araguaína nesta quarta-feira (25) causaram cenas de transtorno e comoção. Imagens de carros submersos, motoristas ilhados e um morador andando de jet ski em uma via tomada pela água dominaram as redes sociais e reacenderam o debate sobre a infraestrutura urbana . Em meio à repercussão, o prefeito Wagner Rodrigues (União) tornou-se alvo de críticas na internet, mas um olhar mais atento sobre a geografia dos alagamentos revela um fato importante: os pontos mais críticos não coincidem com as grandes obras de drenagem e pavimentação entregues ou em andamento pela atual administração.
Onde a água tomou conta
De acordo com relatos de moradores e veículos de imprensa locais, o epicentro dos alagamentos foi a região da Avenida Marginal Neblina, localizada no centro da cidade. O volume intenso de chuva fez o Córrego Neblina transbordar rapidamente, invadindo a pista, estacionamentos e estabelecimentos comerciais . A via, conhecida historicamente por sofrer com o extravasamento do córrego em períodos de chuva forte, voltou a ser um ponto de atenção .
As ocorrências se concentraram nessa área crítica, que sofre com a vazão natural do curso d”água em eventos climáticos extremos. Enquanto isso, importantes vias que passaram por reestruturação nos últimos anos não registraram alagamentos.
Obras que responderam à altura
Enquanto a água tomava conta da Marginal Neblina, a Avenida Governador Siqueira Campos e a Via Norte — dois dos principais cartões-postais da política de mobilidade urbana da gestão Wagner Rodrigues — não sofreram com acúmulo significativo de água ou transtornos, conforme relatos de moradores que trafegaram pelos locais.
Essas avenidas fazem parte de um pacote de obras estruturantes que tem como premissa a máxima de que “a drenagem é a base que sustenta tudo” . A Avenida Siqueira Campos, que conectará a Via Norte à Avenida Castelo Branco com mais de 6,5 km de extensão, e a segunda etapa da Via Norte, um investimento de aproximadamente R$ 19,5 milhões, foram projetadas com sistemas de drenagem de águas pluviais antes mesmo da pavimentação .
Em posts recentes em suas redes sociais, o prefeito Wagner Rodrigues destacou exatamente essa filosofia de trabalho: “Antigamente, essas obras eram deixadas de lado porque não apareciam, não davam voto. Mas, desde a gestão passada, só se começa uma pavimentação depois que a drenagem é feita”, afirmou o gestor ao mostrar os trabalhos no Nova Araguaína e na própria Siqueira Campos .
Drenagem: o alicerce invisível
A lógica aplicada pela gestão é a de priorizar o que não é visível aos olhos da população, mas que é essencial para a funcionalidade da cidade. Além das grandes avenidas, a Prefeitura de Araguaína tem investido em sistemas de escoamento de águas pluviais nos bairros Universitário, Nova Araguaína e Urbanístico, com o objetivo declarado de reduzir riscos de alagamentos e proteger os córregos da região .
A ocorrência de alagamentos na Marginal Neblina, embora grave e preocupante para os moradores e comerciantes da região, escancara um problema histórico que antecede a gestão atual e que depende de soluções complexas, que vão além do asfaltamento, envolvendo o canal do córrego e a ocupação de suas margens.
Conclusão
Em momentos de chuva intensa, a comoção nas redes sociais é imediata, e a cobrança sobre o poder público é legítima e necessária. No entanto, os dados e as imagens mostram que, em Araguaína, os alagamentos desta semana atingiram justamente uma área de vulnerabilidade histórica, enquanto as regiões que receberam investimentos pesados em drenagem e infraestrutura nos últimos anos resistiram bem ao temporal.
A gestão Wagner Rodrigues tem nas mãos o desafio de equacionar os problemas crônicos da cidade, como o da Marginal Neblina, mas também pode apresentar como contraponto o fato de que, onde a obra foi feita com planejamento e foco na drenagem, a população não teve a via interditada pela água. O caso evidencia que, no que diz respeito à infraestrutura urbana, o que não se vê (a drenagem) é tão importante quanto o que se pisa (o asfalto).

















