Araguaína, Tocantins — Em um cenário onde a transparência na gestão pública é constantemente posta à prova, a Prefeitura de Araguaína viu-se subitamente envolvida em uma tempestade de boatos e questionamentos. O motivo? Um simples, mas devastador, erro de sistema no extrato bancário do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o coração financeiro da educação municipal .
O que começou como uma falha técnica, rapidamente se transformou em uma ameaça à integridade da administração. O Banco do Brasil (BB) reconheceu oficialmente que uma atualização tecnológica, destinada a aumentar a clareza nos extratos, acabou por gerar uma confusão que lançou uma sombra de dúvida sobre a aplicação dos recursos do Fundeb.
O Código que Virou Acusação
A raiz do problema reside na alteração da descrição do código 52. Antes, ele representava a “52 – FOPAG” (Folha de Pagamento), uma operação rotineira e essencial para a manutenção da educação. No entanto, após a atualização do sistema do BB, ele passou a ser exibido, de forma equivocada e retroativa, como “52 – Estorno de Repasse Indevido ou a Maior FNDE” .
Imagine a cena: um código que significava o pagamento dos salários dos professores, de repente, sugere uma devolução de verbas por irregularidade. A diferença entre “pagamento” e “estorno” é um abismo, e foi nesse abismo que os boatos floresceram, questionando a honestidade da gestão municipal.
O secretário municipal da Fazenda, Leandro Pinotti, agiu com a urgência que o momento exigia. “Esse código não correspondia ao que aparecia em nosso sistema interno. Por isso, buscamos imediatamente o Setor Público do Banco do Brasil para entender a inconsistência”, explicou . Era uma corrida contra o tempo para provar que a verdade era técnica, e não política.
A Vitória da Transparência
A resposta veio em forma de ofício. O Banco do Brasil, com a responsabilidade de uma instituição federal, enviou um documento à Prefeitura de Araguaína, confirmando que o registro do Código 52 como “Estorno” foi, de fato, um erro de sistema. A falha, que se repetiu em outras cidades do Tocantins, como Palmas e Gurupi, era puramente de exibição de dados e não indicava qualquer irregularidade na aplicação dos recursos .
O prefeito Wagner Rodrigues, que viu o compromisso de sua gestão com a educação ser colocado em xeque por uma falha de software, respirou aliviado, mas manteve a firmeza. “O Fundeb é um dos recursos mais monitorados entre os entes públicos. Cada transferência e pagamento seguem protocolos rígidos previstos em lei. A Prefeitura sempre atuou em total conformidade com a legislação”, declarou, reafirmando a seriedade que lhe rendeu o Selo Diamante de Transparência Pública em anos anteriores.
A equipe de tecnologia do Banco do Brasil trabalha agora para ajustar o sistema, garantindo que a descrição correta da finalidade seja exibida.
O episódio serve como um lembrete de como a tecnologia, mesmo quando falha, pode ter um impacto humano e político profundo. A verdade foi restabelecida, a transparência prevaleceu, mas a pergunta que fica é: Será que esse infortúnio, causado por um erro de código, foi o suficiente para deixar uma marca duradoura na reputação do bom prefeito e de sua gestão? A resposta, agora, está nas mãos do público, que precisa discernir entre o boato e o fato oficial.
Referências
AF Notícias. Banco do Brasil reconhece erro em códigos no extrato bancário do Fundeb de Araguaína.

















