A recente decisão judicial que determinou a remoção da primeira pesquisa eleitoral registrada no TRE do Tocantins para as eleições de 2026 revela um problema preocupante que se repete a cada ciclo eleitoral. Com dados incorretos e omissão de nomes de pré-candidatos, o caso expõe como pesquisas mal conduzidas ou manipuladas podem distorcer o cenário político e influenciar indevidamente a opinião pública.
O Caso Tocantins: Um Sinal de Alerta
A pesquisa em questão, além de conter erros metodológicos graves, falhou ao não incluir nomes relevantes da disputa, criando uma visão distorcida da realidade política local. A intervenção judicial foi necessária para conter os danos, mas o episódio serve como alerta para eleitores, veículos de comunicação e instituições democráticas.
Por que Pesquisas Manipuladas São Perigosas?
- Criam narrativas falsas: Pesquisas tendenciosas podem construir cenários irreais, favorecendo determinados candidatos enquanto enterram outros antes mesmo do início oficial das campanhas.
- Influenciam financiamento: Investidores e doadores costumam direcionar recursos com base no desempenho nas pesquisas, criando profecias autorrealizáveis.
- Afetam a competitividade: Candidatos omitidos ou subrepresentados perdem visibilidade e têm dificuldade em construir tração eleitoral.
- Descredibilizam o processo: A repetição de casos como o do Tocantins pode levar a uma desconfiança generalizada em relação a todas as pesquisas, incluindo as sérias.
Como Identificar Pesquisas Questionáveis?
Eleitores e jornalistas devem estar atentos a sinais de alerta:
· Transparência metodológica: Pesquisas confiáveis divulgam detalhes como tamanho da amostra, margem de erro, datas de realização e metodologia completa.
· Registro oficial: No Brasil, pesquisas eleitorais devem ser registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
· Fontes conhecidas: Institutos com histórico comprovado e independência têm maior credibilidade.
· Ausência de “viés de omissão”: Pesquisas sérias incluem todos os candidatos relevantes, não apenas alguns.
O Papel das Instituições e da Mídia
O caso do Tocantins demonstra a importância da fiscalização pelo Judiciário Eleitoral, mas também reforça a responsabilidade da mídia em verificar a qualidade das pesquisas antes de divulgá-las. Jornalistas devem adotar postura crítica, questionando metodologias e contextualizando resultados.
Conclusão: Cidadania Ativa como Antídoto
Em um ambiente político cada vez mais complexo, a vigilância cidadã se torna essencial. A democracia depende não apenas de instituições sólidas, mas de eleitores informados e críticos. Pesquisas eleitorais são ferramentas importantes, mas nunca devem substituir o exercício ativo de acompanhar propostas, analisar históricos e participar do debate político.
O caso tocantinense de 2026, ainda que resolvido judicialmente, nos lembra que a integridade do processo eleitoral começa muito antes do dia da votação – começa na qualidade da informação que circula na sociedade. Cabe a todos nós, como cidadãos, consumir pesquisas com o devido ceticismo saudável que a democracia exige.

















