Silene Borges/Araguaina To
Recentemente, a cidade de Araguaína, no Tocantins, foi palco de uma intensa onda de especulações e acusações que tomaram conta das redes sociais e blogs locais. O prefeito Wagner Rodrigues foi alvo de graves alegações que sugeriam o desvio de aproximadamente meio bilhão de reais provenientes do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). No entanto, documentos oficiais e esclarecimentos técnicos revelaram que o “escândalo” não passou de um erro sistêmico e de codificação por parte do Banco do Brasil.
O Surgimento da Acusação
As acusações ganharam força após a identificação de registros atípicos no SIOPE (Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação). Nos extratos, as transferências destinadas ao pagamento dos servidores da Educação apareciam sob o Código 52, que tecnicamente indica “Estorno de Repasse Indevido ou a Maior FNDE”.
A interpretação equivocada desses códigos por setores da oposição e blogs de notícias sugeriu que valores vultosos estariam sendo retirados das contas da educação de forma irregular. A narrativa de um desvio de “meio bilhão” espalhou-se rapidamente, gerando pedidos de impeachment e ataques à gestão municipal.
O Esclarecimento do Banco do Brasil
Diante da gravidade da situação, a Secretaria da Fazenda de Araguaína acionou o Banco do Brasil para obter explicações. Em resposta oficial emitida em 27 de janeiro de 2026, a instituição financeira reconheceu o equívoco.
“O Banco do Brasil emitiu um comunicado oficial à Prefeitura de Araguaína reconhecendo que o Código 52 foi um erro de sistema e que será feita a correção de todas as transações.” 1
De acordo com o Banco do Brasil, o erro ocorreu devido à atualização da tabela de codificação de receitas e despesas do FUNDEB, conforme a Portaria nº 1052 do FNDE. Os códigos antigos perderam a validade em novembro de 2025, e o sistema bancário falhou ao não processar corretamente a nova codificação, utilizando etiquetas que não correspondiam à natureza real das operações.
A Reação da Gestão Municipal
O prefeito Wagner Rodrigues utilizou suas redes sociais para rebater as acusações, classificando-as como fake news. Ele destacou a impossibilidade lógica de um desvio dessa magnitude ocorrer sem a detecção imediata pelos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público.
Rodrigues enfatizou que Araguaína possui o Selo Diamante de Transparência Pública, concedido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon), o que atesta o rigor na gestão dos recursos. O secretário da Fazenda, Leandro Pinotti, reforçou que as transferências mensais seguem protocolos rígidos e que a prefeitura sempre manteve os registros internos corretos (Código 42), contrastando com o erro exibido no sistema do banco.
Conclusão: O Perigo da Desinformação
O episódio em Araguaína serve como um alerta sobre a velocidade com que informações técnicas mal interpretadas podem ser transformadas em ferramentas de ataque político. O que foi apresentado como um desvio bilionário revelou-se uma inconsistência operacional bancária, já devidamente assumida pelo Banco do Brasil.
A transparência pública e a busca por fontes oficiais continuam sendo os melhores antídotos contra a desinformação. No caso de Araguaína, a verdade foi restabelecida através de documentos técnicos, ilibando a gestão municipal de acusações infundadas que visavam apenas o desgaste político.
















