Convenções abertas, alianças à prova: a semana em que o Tocantins mostrou suas chapas — e suas fissuras

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Por Tribuna — colunista político do Líder Tocantins.

A semana que findou nesta terça-feira (21/jul) mostrou chapas e fissuras na corrida de 2026. Com o prazo das convenções aberto desde segunda-feira (20), cada grupo agora precisa transformar apoios em chapa. Em sete dias, o bloco governista reuniu sua força em Araguaína e marcou a convenção de Professora Dorinha; Laurez Moreira definiu o coronel da reserva Silva Neto como vice, mas tornou pública a divergência em torno das vagas ao Senado; a federação PSOL-Rede homologou os primeiros nomes ao governo; e a Justiça Eleitoral afastou prefeito e vice de Goiatins. Os movimentos não encerraram o desenho eleitoral. Ao contrário: mostraram onde ainda estão as negociações mais difíceis.

O governismo exibe força — e precisa reduzir a fila

O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) apresentou a senadora Professora Dorinha (União Brasil) como “a nossa próxima governadora” no ato da aliança União pelo Tocantins, em Araguaína, que reuniu União Brasil, Progressistas, PL, Republicanos, Podemos e PRD. Segundo os organizadores, cerca de 12 mil pessoas participaram do encontro (Conexão Tocantins, 16/jul).

No mesmo palco, o deputado federal Carlos Gaguim lançou sua pré-candidatura ao Senado e afirmou contar com mais de 70 prefeitos. No dia seguinte, o deputado estadual Jair Farias declarou: “Eu e o meu povo vamos acompanhar Carlos Henrique Gaguim”, dando ao aliado uma ponte explícita para o Bico do Papagaio (Conexão Tocantins, 17/jul).

A convenção de Dorinha foi marcada para 5 de agosto, às 16 horas, no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas. A organização espera mais de 100 prefeitos. A demonstração de capilaridade, porém, convive com duas pendências: a escolha do vice e a quantidade de pré-candidatos ao Senado dentro da base, superior às duas vagas disponíveis (Coluna do CT, 21/jul).

Laurez fecha a vice; a disputa do Senado continua aberta

Laurez Moreira, vice-governador e presidente estadual do PSD, anunciou Silva Neto, ex-comandante-geral da Polícia Militar, para a vice. O escolhido disse que pretende defender segurança pública, combate à corrupção e valorização dos servidores. Laurez afirmou que o coronel terá autonomia na área e negou que a ausência do senador Irajá na coletiva representasse rompimento (Coluna do CT, 21/jul).

A negativa veio acompanhada de um limite objetivo: segundo Laurez, a coligação terá Paulo Mourão (PT) e Irajá (PSD) como candidatos ao Senado, sem uma terceira vaga para Ivanete Lima, lançada pelo grupo do senador. Irajá havia pedido à direção nacional do PSD mais tempo para ampliar conversas e avaliar composições antes da convenção, argumento apresentado publicamente como tentativa de manter o diálogo aberto (Conexão Tocantins, 14/jul).

O PT, por sua vez, reforçou o vínculo com Laurez. O presidente estadual da legenda, Nile William, definiu o vice-governador como “ponto focal” da campanha presidencial no Estado e chamou a aliança de campanha dos “dois Ls”, Lula e Laurez (AF Notícias, 21/jul). A convenção conjunta de PSD, PDT e PSB está marcada para 4 de agosto.

A esquerda homologa chapa e os palanques se cruzam

A federação PSOL-Rede realizou a primeira convenção estadual e confirmou Witer Fonseca Naves ao governo, Maria Lúcia Soares Viana à vice, Osvaldo Soares Neto e Fábio Paulino Ribeiro ao Senado (Conexão Tocantins, 20/jul). Paulo Mourão, embora alinhado à chapa de Laurez, participou do ato e defendeu união do campo progressista; também vinculou Dorinha e Vicentinho Júnior a posições bolsonaristas, avaliação contestável que foi apresentada como opinião do petista, não como fato (Conexão Tocantins, 21/jul).

Outro cruzamento apareceu na casa de Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins. O deputado estadual Ivory de Lira, integrante da base estadual e do palanque de Dorinha, participou de reunião da Federação Brasil da Esperança e reafirmou-se “Lula convicto”; Cláudia Lelis também compareceu (T1 Notícias, 21/jul). O episódio mostra que o alinhamento presidencial ainda não coincide integralmente com as chapas estaduais.

Justiça Eleitoral muda o comando de Goiatins

Fora dos palanques, o fato institucional mais relevante ocorreu em Goiatins. O TRE-TO negou efeito suspensivo à defesa do prefeito Manoel Natalino Pereira Soares e do vice José Américo Aquino Sousa Filho, cassados por abuso de poder e captação ilícita de sufrágio. O recurso especial foi admitido para envio ao TSE, mas sem mantê-los nos cargos. A presidente da Câmara, Lilian Maria Rodrigues Ribeiro, assumiu interinamente, e nova eleição foi marcada para 25 de outubro (T1 Notícias, 21/jul).

Ao mesmo tempo, o TRE-TO informou que o Estado tem 1.182.307 eleitores, com mulheres em maioria, e colocou em operação o sistema oficial de registro das candidaturas (TRE-TO, 20/jul; TRE-TO, 21/jul). Recursos recebidos por partidos e candidaturas devem ser informados à Justiça Eleitoral em até 72 horas (TRE-TO, 20/jul).

Leitura de bastidor

A semana terminou com quatro testes bem definidos. Dorinha precisa acomodar o vice e reduzir a fila do Senado; Laurez precisa conciliar a autoridade estadual do PSD com o movimento de Irajá e a aliança firmada com o PT; Vicentinho Júnior chega à convenção com Amélio Cayres na vice e Alexandre Guimarães ao Senado, mas ainda procura o segundo nome; e o campo progressista precisa administrar mais de um espaço de apoio a Lula. A próxima data concreta é a convenção do DC, em 27 de julho. Depois, as decisões se concentram de 2 a 5 de agosto. Serão as atas que mostrarão quais alianças sobreviveram.

Por Tribuna — colunista político do Líder Tocantins.

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