O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as eleições presidenciais no Brasil representam um “grande teste” para a estratégia de Washington na América Latina. A declaração foi feita em uma rede social, onde Trump compartilhou um artigo do colunista John Gizzi, do veículo conservador Newsmax, que defende uma série de vitórias do republicano na região.
No texto republicado, Gizzi cita a recente vitória do candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella na Colômbia como mais um capítulo do “amplo realinhamento ideológico pró-Trump que está transformando o Hemisfério Ocidental”. O colunista ainda menciona eleições passadas em El Salvador (2019), Argentina (2023) e Equador (2023), além de pleitos previstos para 2026 no Peru, Honduras, Bolívia e Chile, como parte desse movimento.
“A tendência pró-Trump começou em 2019 com a eleição de Nayib Bukele em El Salvador e tem se intensificado de forma constante desde então”, escreveu Gizzi.
Apesar do otimismo, o artigo reconhece quatro desafios pendentes para o governo norte-americano na América Latina: Venezuela, Cuba, Nicarágua e, principalmente, o Brasil — apontado como o “próximo grande teste” do republicano na região.
“As atenções agora se voltam para o Brasil, a maior nação da América Latina e a potência política da região. A próxima eleição presidencial poderá se tornar a disputa mais importante do hemisfério”, afirma o texto.
O autor conclui que Trump está “tornando as Américas grandes novamente” e que, caso o Brasil venha a se juntar à lista de países que se movem para a direita, “o mapa político da América Latina será drasticamente diferente do que era há apenas uma década”. A publicação também destaca a união de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em torno do senador Flávio Bolsonaro, na tentativa de destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Doutrina Monroe revisitada
Em documento publicado em dezembro de 2025, o governo dos EUA anunciou que aplicará um “Corolário Trump” à Doutrina Monroe — a doutrina do século XIX que expandiu a influência norte-americana pelo continente, desafiando potências europeias.
Criada em 1823, a Doutrina Monroe afirmava que “a América é para os americanos”. Agora, sob o segundo mandato de Trump, os EUA se propõem a “estabelecer ou expandir o acesso em locais de importância estratégica” e a “fazer todo o possível para expulsar empresas estrangeiras que constroem infraestrutura na região”.
“Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a regiões-chave em toda a região”, diz o documento da Casa Branca.












